Entenda de onde vêm os nomes Octavo, Quarto e Fanzine, como a dobradura define a experiência de leitura e quando escolher cada um para o seu projeto impresso.
Antes da padronização dos papéis que usamos hoje (como a série A4 e A3), os livros eram categorizados dependendo de quantas vezes uma única e grande folha de papel impressa era dobrada para formar os cadernos (as folhas finais).
O tamanho final de um livro era inteiramente determinado pelas dobras da folha original:
"A magia dos livros físicos reside na fisicalidade da dobra. Até o final do século XIX, leitores dedicados mantinham uma faca de abrir páginas consigo para cortar individualmente as dobras seladas dos cadernos e desvelar o texto, criando assim uma relação pessoal e íntima com o livro recém-comprado."
O Padrão Clássico de Bolso (16 Páginas)
Extremamente popular entre os séculos XVI e XIX pela transportabilidade e barateamento da literatura. Se tornou o tamanho padrão para colocar na prateleira da biblioteca. Na famosa obra Emma, de Jane Austen, personagens inclusive detestavam a grosseria espalhafatosa dos enormes Quartos, clamando que homens inteligentes compactavam seus pensamentos num simples mas elegante Octavo.
Sendo o mais eficiente na distribuição do layout, o Octavo é o formato nativo do nosso projeto. Escolha-o para diagramar zines com muito conteúdo textual, livretos densos de literatura, guias, minicontos, compêndios e diários de bordo que se beneficiam das 16 páginas formadas após refilar e grampear o papel horizontalmente ao meio.
A Verticalidade Artística (8 Páginas)
No formato Quarto, a orientação do papel gira para Retrato (Vertical). Com isso, aplicam-se apenas duas dobras: uma na largura e uma na altura, criando 8 páginas de leitura altivas e largas. Os quartos foram vitais na era moderna. Eram usados para jornais e folhetins, roteiros de teatro originais (edições históricas de Shakespeare, conhecidas como "The First Quartos"), encartes ricos em ilustrações calcográficas e livros de viagens do século XIX.
Por oferecer folhas maiores e dispostas na vertical, o Quarto é a pedida perfeita para zines com fotografias e arte em alta resolução, manuais grandes para uso em bancada de trabalho, portfólios visuais em página dupla ou quando o conteúdo precisar de espaço em branco (respiro) entre as linhas, algo difícil de se fazer no diminuto Octavo.
A Revolução Prática do DIY (8 Páginas / Face Única)
A história dos zines (Fan-Magazines) acompanha as publicações alternativas das décadas de 70, em especial o crescimento da cena Punk e movimentos como o Riot Grrrl. O *One-Page Zine* não utiliza costura. Através de um único e genial "rasgo" na intersecção central da página dobrada 4 vezes, o documento dobra sobre sim mesmo e instantaneamente vira uma brochura sequencial.
Escolha o formato Fanzine (Paisagem) para apostar na cultura DIY (Do It Yourself). Ideal para manifestos com texto urgente, cartilhas de distribuição massiva, ou impressões baratas de um só lado da folha. Graças a essa característica, a área traseira intocada serve em dobro: quando o zine for todo desdobrado por quem o recebeu, ele de repente expõe um impressionante pôster oculto no verso (que pode ser impresso antes a parte).